sábado, 22 de novembro de 2014

Indiferença.

INDIFERENÇA

Não sei por que razão, não entendo,
porque insistes tanto em dizer que não.
Não vês o quanto estou sofrendo,
e tão machucado está meu coração?

Às vezes em que te procuro ver,
persistes sempre em me evitar.
Ignoras que este pobre e humilde ser,
nasceu e vive somente para te amar.

Quando na rua te vejo passar,
meu corpo treme, meu coração aperta,
louco de desejo fico a te olhar.
Na minha solidão, uma ansiedade é certa,
sem a esperança de poder te amar.

R.S. Furtado.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Hora aflita.

HORA AFLITA

Vêm os dias de angústia; os mais amenos
Passaram... hoje a sorte que intimida
Põe nos meus olhos calmos e serenos
Uma ansiedade quase irreprimida.

Mas isto passa. Todos mais ou menos
Passam por isto: acalma-te, querida!
A vida é grande e somos tão pequenos
Que encontraremos um lugar na vida.

Ah! Tu bem sabes! Todo o mundo sabe
O que é natural que atrás desta parede
O pão nos falte e todo o vinho acabe.

– Tudo nos falta, mas não nos consome,
Quem tem água nos olhos não tem sede,
Quem tem beijos na boca não tem fome.

Virgílio Brígido Filho
 

Virgílio Brígido – Filho do Coronel Raymundo Vossio Brigido das Santos e D. Pacifica de Medeiros Brígido, nasceu na povoação de Santa Cruz, da comarca de Uruburetama, a 24 de Abril de 1854. Pelo lado materno pertence á família Azevedo e Sá. Genro do Commendador Felício de Souza Brandão, que foi empregado d'Alfandega do Rio de Janeiro e faleceu victima de um desastre de automóvel a 31 de julho de 1913. Cursou humanidades no... Leia mais aqui:

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Soneto de linhagem.


SONETO DE LINHAGEM

a Edmir Domingues

Ao vestir-me de branco, ressuscito
a glória de meu pai – a de ser puro:
a sua barba aproximando os seres
como um lírio de paz ou de sossego.

Meu porte branco e o porte do passado
passeiam nesta tarde paralelos,
conquanto este sorriso não complete
aquele que de amor deixou meu pai.

Meu pai guardou-se em mim. E permanece
na alvura natural de minhas vestes
exposto ao sol, ao sono e ao desespero.

Em breve passaremos já cansados,
deste meu corpo ao corpo ao corpo de meu filho
ambos nele por fim ressuscitados.

Audálio Alves
 

Nascido no dia 2 de julho de 1930 no município de Pesqueira (PE), Audálio Alves Pereira pertenceu a Geração de 50, ao lado de grandes nomes da poesia pernambucana como Carlos Pena Filho, Edmir Domingues, Mauro Mota, entre outros. Foi membro da Academia Pernambucana de Letras, ocupando a cadeira nº 8. Bacharelou-se em Línguas Neolatinas pela Universidade Católica de Pernambuco e em Direito pela Faculdade de Direito do Recife.

Exerceu o jornalismo como redator literário do Jornal do Commercio, a advocacia, o magistério e cargos públicos. Ocupou a direção de entidades culturais, sendo diretor de assuntos culturais da Fundarpe, e idealizador e primeiro supervisor... Leia mais aqui:

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domingo, 16 de novembro de 2014

O goiano da gema.


O GOIANO DA GEMA

O goiano da gema, o da cidade
é sempre ou quase sempre um bom sujeito,
para o trabalho sério – pouco jeito;
para a intriga - bastante habilidade.

Se não tem que fazer, por caridade,
tosa na vida alheia sem respeito;
e acredita estar muito em seu direito
apoquentar assim a humanidade.

Se vai dar-te uma prosa, por brinquedo,
arruma-te um cacete, que te pisa,
qual se fora de ferro ou de rochedo,

e, o que aborrece e encoleriza,
visita a gente de manhã bem cedo,
quando se está em fralda de camisa.

Félix de Bulhões 


Antônio Félix de Bulhões Jardim. Nasceu no dia 28 de agosto de 1845, na antiga capital do estado, hoje, Cidade de Goiás, filho de Inácio Soares de Bulhões Jardim e de Antônia Emília Bulhões Jardim, e faleceu, prematuramente, no dia 20 de março de 1887, na sua terra natal, com apenas 42 anos incompletos. Foi uma das figuras mais brilhantes da literatura goiana e considerado o Príncipe dos poetas goianos.

Iniciou seus estudos na capital do Estado de Goiás, Vila Boa, seguindo para São Paulo. Com a idade de 14 anos ingressou na Faculdade de Direito e concluiu o curso com brilhantismo aos 21 anos. Regressa a sua cidade natal e é defensor das ideias... Leia mais aqui:

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Aqui morava um rei.

AQUI MORAVA UM REI

Aqui morava um Rei, quando eu menino,
Vestia ouro e castanho no gibão.
Pedra da sorte sobre o meu destino,
Pulsava junto ao meu seu coração.

Para mim, seu cantar era divino,
Quando ao som da viola e do bordão.
Cantava com voz rouca o desatino,
O sangue o riso e as mortes no sertão.

Mas mataram meu pai, desde esse dia,
Eu me vi como um cego sem meu guia,
Que se foi para o sol, transfigurado.

Sua Efigie me queima, eu sou a presa,
Ele a brasa que impele ao fogo, acesa,
Espada de ouro em Pasto ensanguentado.

Ariano Suassuna 
  


Sexto ocupante da Cadeira nº 32, eleito em 3 de agosto de 1989, na sucessão de Genolino Amado e recebido em 9 de agosto de 1990 pelo Acadêmico Marcos Vinícios Vilaça. 


Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), em 16 de junho de 1927, filho de Cássia Villar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no sertão, na Fazenda Acauhan.

Com a Revolução de 30, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez... Leia mais aqui:


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