quarta-feira, 23 de abril de 2014

Supremo Anelo.

SUPREMO ANELO

Voltar a ti, ó terra estremecida,
E ver de novo, à doce luz da aurora,
O vale, a selva, a praia inesquecida,
Onde brincava pequenina outrora;

Ver uma vez ainda essa querida
Serra Dourada que minh'alma adora;
E o velho rio, o Cantagalo, a ermida,
Eis o que sonho unicamente agora.

Depois... morrer fitando o sol no poente,
Morrer ouvindo ao desmaiar fagueiro
da tarde estiva o sabiá dolente.

Um leito, enfim, bordado de boninas,
Onde dormisse o sono derradeiro,
Sob essas verdes, plácidas colinas.

Leodegária de Jesus
  
LEODEGÁRIA DE JESUS, Goiana, de Jataí, 1891, escreveu, entre outros, “ORQUÍDIAS” (1928), “COROA DE LÍRIOS” (1906). Foi criteriosamente estudada por Basileu Toledo França, no livro “POETISA LEODEGÁRIA DE JESUS”. Conforme alguns autores, teria nascido em Caldas Novas, Goiás, em 08.08.1889. Filha de José Antônio de Jesus e Ana Isolina Furtado Lima de Jesus. Estudou no Colégio Santana, de Goiás Velho. Foi uma das redatoras do Jornal A ROSA ao lado de Cora Coralina, em 1907. Depois de passar por várias cidades goianas, inclusive Jataí, mudou-se para Minas Gerais, onde exerceu... Leia mais aqui:

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Renascimento.

  
 
RENASCIMENTO

Nasci de novo. Eis-me liberto, enfim!
Foi por um Céu., de estrelas todo cheio,
Numa visão de amor, que um Anjo veio
Descendo até poisar ao pé de mim.

O beijo que me deu não teve fim...,
Apertou-me nos braços contra o seio,
Abriu os lábios segredando..., e a meio
Bateu asas e levou-me assim.

Ai! Como é doce o seio que me embala!
E como tudo é novo e mais profundo!...
Mas já não volta, ou, quando volta, é morto!

Noutro Mundo melhor eu vivo absorto,
E logo conheci que a esse Mundo
Quem vai não volta, ou, quando volta, é morto!

Jaime Cortesão
  
De seu nome completo Jaime Zuzarte Cortesão, nasceu em 1884 perto de Cantanhede, mas mesmo jovem a sua família se transferiu para próximo de Coimbra, onde iniciou os estudos. A sua vida de estudante universitário foi uma sucessão de experiências depressa abandonadas (passou por Grego, Direito e Belas Artes) antes de se fixar em Medicina, que terminaria em Lisboa com uma tese que espelha já a sua multiplicidade de interesses (A Arte e a Medicina – Antero de Quental e Sousa Martins). A medicina não era, porém, a sua paixão; exerceu-a sem grande entusiasmo, e cedo se entregou a outras atividades, nomeadamente ao... Leia mais aqui:

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cristo.



CRISTO

Tendo por leito, a miseranda cruz,
Onde o pregaram os algozes seus.
De espinhos, preso a fronte, o vil capuz,
- Vilão - por ser rei dos judeus.

Por ser bom, por ser justo, por ser Deus,
Pelo bem, pelo amor e pela luz.
Que na terra espalhou vindo dos céus,
Crucificado morre o bom Jesus.

Ao exalar o seu suspiro extremo,
Perdoa os homens ímpios criaturas,
Com o olhar que lhes lança o ser supremo.

E, para iluminar sua agonia,
Como estrelas candentes vagam puras,
As lágrimas nas faces de Maria.

R.S. Furtado.

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Feliz Páscoa para todos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Árvore.

 

A ÁRVORE

Ó árvore, quantos séculos levaste
o aprender a lição que hoje me dizes:
o equilíbrio, das flores às raízes,
sugerindo harmonia onde há contraste?

Como consegues evitar que uma haste
e outra se batam, pondo cicatrizes
inúteis sobre os mesmos infelizes?
Quando as folhas e os frutos comungaste?

Quantos séculos, árvore, de estudos
e experiências – que o vigor consomem
entre vigílias e cismares mudos –

demoraste aprendendo o teu exemplo,
no sossego da selva armada em templo?
E dize-me: há esperança para o homem?

Geir Campos
Geir Campos (São José do Calçado ES 1924 – Niteroi RJ 1999) . Poeta, dramaturgo, tradutor, editor, jornalista, ensaísta, contista e autor de literatura infantil e juvenil. Inicia a carreira de escritor nos anos 1940 divulgando na imprensa contos e poemas originais e traduzidos, ao mesmo tempo que trabalha como piloto da Marinha Mercante. Seu primeiro livro de versos, Rosa dos Rumos, é publicado em 1950. Em 1956 é chamado por Ênio Silveira (1925-1996), então presidente do Sindicato nacional das Empresas Editoras de Livros – Snel, para o cargo de relações públicas da instituição. Ainda nesse ano, realiza-se o... Leia mais aqui: 

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Amada filha.

 
 

Maria Ifigênnia
AMADA FILHA

Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa,
vem conduzir a simples natureza:
– é hoje que o teu mundo principia.

A mão, que te gerou, teus passos guia;
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do Filho de Maria.

Estampa na tua alma a Caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.

Tudo o mais são ideais delirantes;
procura ser feliz na Eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.

Bárbara Heliodora
Bárbara nasceu Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, em São João Del Rei, Minas Gerais, em 1759. Primeira poeta brasileira, culta e revolucionária, Bárbara foi uma mulher que, em toda sua vida, agiu com coragem e fibra. Aos 20 anos se apaixonou pelo poeta Alvarenga Peixoto. Da paixão, nasceu Maria Ifigênia.

O casamento só aconteceu depois do nascimento da menina e Bárbara manteve o nome de solteira. A ligação entre os dois foi marcada pela harmonia e companheirismo. O casal teria, ainda, outros três filhos. Bárbara e Alvarenga Peixoto participaram da organização da inconfidência do País.

Segundo Aureliano Leite, no livro “A Vida Heróica de Barbara Heliodora”, a presença de Bárbara foi fundamental na vida de... Leia mais aqui:

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