sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cristo.



CRISTO

Tendo por leito, a miseranda cruz,
Onde o pregaram os algozes seus.
De espinhos, preso a fronte, o vil capuz,
- Vilão - por ser rei dos judeus.

Por ser bom, por ser justo, por ser Deus,
Pelo bem, pelo amor e pela luz.
Que na terra espalhou vindo dos céus,
Crucificado morre o bom Jesus.

Ao exalar o seu suspiro extremo,
Perdoa os homens ímpios criaturas,
Com o olhar que lhes lança o ser supremo.

E, para iluminar sua agonia,
Como estrelas candentes vagam puras,
As lágrimas nas faces de Maria.

R.S. Furtado.

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Feliz Páscoa para todos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Árvore.

 

A ÁRVORE

Ó árvore, quantos séculos levaste
o aprender a lição que hoje me dizes:
o equilíbrio, das flores às raízes,
sugerindo harmonia onde há contraste?

Como consegues evitar que uma haste
e outra se batam, pondo cicatrizes
inúteis sobre os mesmos infelizes?
Quando as folhas e os frutos comungaste?

Quantos séculos, árvore, de estudos
e experiências – que o vigor consomem
entre vigílias e cismares mudos –

demoraste aprendendo o teu exemplo,
no sossego da selva armada em templo?
E dize-me: há esperança para o homem?

Geir Campos
Geir Campos (São José do Calçado ES 1924 – Niteroi RJ 1999) . Poeta, dramaturgo, tradutor, editor, jornalista, ensaísta, contista e autor de literatura infantil e juvenil. Inicia a carreira de escritor nos anos 1940 divulgando na imprensa contos e poemas originais e traduzidos, ao mesmo tempo que trabalha como piloto da Marinha Mercante. Seu primeiro livro de versos, Rosa dos Rumos, é publicado em 1950. Em 1956 é chamado por Ênio Silveira (1925-1996), então presidente do Sindicato nacional das Empresas Editoras de Livros – Snel, para o cargo de relações públicas da instituição. Ainda nesse ano, realiza-se o... Leia mais aqui: 

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Amada filha.

 
 

Maria Ifigênnia
AMADA FILHA

Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa,
vem conduzir a simples natureza:
– é hoje que o teu mundo principia.

A mão, que te gerou, teus passos guia;
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do Filho de Maria.

Estampa na tua alma a Caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.

Tudo o mais são ideais delirantes;
procura ser feliz na Eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.

Bárbara Heliodora
Bárbara nasceu Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, em São João Del Rei, Minas Gerais, em 1759. Primeira poeta brasileira, culta e revolucionária, Bárbara foi uma mulher que, em toda sua vida, agiu com coragem e fibra. Aos 20 anos se apaixonou pelo poeta Alvarenga Peixoto. Da paixão, nasceu Maria Ifigênia.

O casamento só aconteceu depois do nascimento da menina e Bárbara manteve o nome de solteira. A ligação entre os dois foi marcada pela harmonia e companheirismo. O casal teria, ainda, outros três filhos. Bárbara e Alvarenga Peixoto participaram da organização da inconfidência do País.

Segundo Aureliano Leite, no livro “A Vida Heróica de Barbara Heliodora”, a presença de Bárbara foi fundamental na vida de... Leia mais aqui:

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sábado, 12 de abril de 2014

Saudade do teu corpo.


SAUDADE DO TEU CORPO

Tenho saudades do teu corpo: ouviste
correr-te toda a carne e toda a alma
o meu desejo – como um anjo triste
que enlaça nuvens pela noite calma?

Anda a saudade do teu corpo (sentes?...)
Sempre comigo: deita-te ao meu lado,
dizendo e redizendo que não mentes
quando me escreves: “vem, meu todo amado...”

É o teu corpo em sombra esta saudade...
Beijo-lhe as mãos, os pés, os seios-sombra:
a luz do seu olhar é escuridade...

Fecho os olhos ao sol para estar contigo.
É de noite este corpo que me assombra...
Vês?! A saudade é um escultor antigo!

António Patrício
António Patrício nasceu a 7 de março de 1878, no Porto, filho de António José Patrício, armador e proprietário de uma agência funerária, e de Emília Augusta da Silva Patrício, doméstica.

Estudou no Liceu Nacional Central do Porto e, em 1893, com 15 anos, matriculou-se na Academia Politécnica do Porto, como aluno voluntário. Não teve muito sucesso neste seu primeiro percurso como estudante do ensino superior e, em 1897, abandonou a Academia sem ter obtido qualquer grau acadêmico.

Em Setembro de 1898 foi cumprir o serviço militar e, alguns meses depois, casou-se com Alice Minie Josephine d'Espiney. No ano seguinte, nasceu... Leia mais aqui: 

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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Meu lindo sabiá.



MEU LINDO SABIÁ
  
Vós que cantais no alto da laranjeira,
Externando ao mundo a vossa melodia.
Sem temerdes a ação da baladeira,
Que pra vós por certo, faz pontaria.
Refletis no canto vossa real beleza,
Que a todos encantam, sois maravilhoso.
Impondes vossa formosura e realeza,
Ao cantardes, sois magno, sois valoroso.
Ouvir-vos é terno, é sagrado, é sublime,
Que até aos ímpios e impuros redime,
Gorjeio igual neste mundo não há.
Deis a mim a honra de feliz primazia,
De ouvir vosso canto como uma magia,
Venhais a mim e canteis meu lindo Sabiá.
R.S. Furtado.   
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