quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Dor.

      

DOR

Bebe. O vinho do estilo te consola.
Para beber, não poupes sacrifícios,
que este tem, dentre todos os teus vícios,
a equivalência da melhor esmola.

Enquanto o pranto de teus olhos rola,
e em teu rosto se notam os indícios
dos mais negros e atroz malefícios,
teu coração, sobre o papel, imola.

Deu-te a Bruxa da Vida este destino.
Vens do Nada, e, no eterno torvelino,
ao mesmo Nada tornarás, em breve.

Vamos, Fantoche, Títere de argila,
sob o peso da dor, que te aniquila,
curva a cabeça, desgraçado, escreve.

Martins Fontes
 

Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui:

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 Com a História da Literatura Colombiana.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Iara.

A IARA

Vive dentro de mim, como num rio,
uma linda mulher, esquiva e rara,
num borbulhar de argênteos flocos, Iara
de cabeleira de ouro e corpo frio.

Entre as ninfeias a namoro e espio:
e ela, do espelho móbil da onda clara,
com os verdes olhos úmidos me encara,
e oferece-me o seio alvo e macio.

Precipito-me, no ímpeto de esposo,
na desesperação da glória suma,
para a estreitar, louco de orgulho e gozo...

Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
e a mãe-da-água, exalando um ai piedoso,
desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Olavo Bilac
 
Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui:

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sábado, 16 de agosto de 2014

Chôro de vagas.

   

CHÔRO DE VAGAS

Não é de águas apenas e de ventos,
no rude som, formada a voz do Oceano:
em seu clamor – ouço um clamor humano,
em seus lamentos – todos os lamentos.

São de náufragos mil estes acentos,
estes gemidos, esse aiar insano;
agarrados a um mastro, ou tábua, ou pano,
vejo-os varridos de tufões violentos;

vejo-os, na escuridão da noite, aflitos,
bracejando, ou já mortos e de bruços,
largados das marés, em ermas plagas...

Ah! Que são deles estes surdos gritos,
este rumor de preces e soluços
e o choro de saudade destas vagas!

Alberto de Oliveira 

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Mandatos.

 

MANDATOS

Fui benigno. E também leal com meus patrícios.
Não retirei o pão da boca de coitados.
Fechei-me às tentações e dei volta aos achados
Potes de ouro e dobrões que me seriam propícios.

Ao sonho consagrei, qual fogos de artifícios
Palavras com clarões que vos foram mostrados
E no potro do ideal corri nos descampados
A bandeira a agitar do Cristo os sacrifícios.

Só pequei por amor a celestes fascínios
De corpos aromais e sagrados escrínios
Onde depositei meus astros lapidados.

Ou Heliotrópios meus, adamantinos lácteos
Que o mistério maior, sem ter piedade abate-os
Na campina surreal dos fatos consumados.

Aureo Mello
 

AUREO MELLO (Aureo Macedo Bringel Viveiros de Mello) nasceu em Santo Antônio do Madeira, MT, em 1924, mas viveu boa parte de sua vida no Amazonas. Poeta, advogado, jornalista, pintor e político (ex-deputado e ex-senador).

Filho de Hugo Viveiros de Mello e Elvira Bringel de Mello. Casado com Maria Thereza Franco Ferreira de Mello.

Aposentou-se do serviço público em 1983, como Procurador e Consultor Jurídico do INCRA. Foi Deputado à Assembléia Constituinte do Estado do Amazonas, em 1947; Deputado Estadual, de 48 a 55; Deputado Federal pelo Estado do Amazonas, de 55 a 59 e pelo Estado da Guanabara, de... Leia mais aqui:

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 Com a História da Literatura Chilena
2ª parte.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Você se foi.



VOCÊ SE FOI

Você se foi, não disse adeus,
E nem sequer pensou nos sofrimentos meus.
Deixou-me assim na solidão,
Tão machucado está meu coração.

O nosso lar triste ficou,
Não tem mais vida, pois tudo acabou.
O meu viver, sentido já não tem,
Eu espero tanto, mas você não vem.

Mas se você quiser voltar,
A porta aberta você vai encontrar.
Com muito amor vou lhe esperar,
E muitos beijos prontos pra lhe dar.

R.S. Furtado.

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