sábado, 25 de outubro de 2014

Rosas.


ROSAS

Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que já se foram, rosas
Suaves e tristes! rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...

Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de alfombras silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.

Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço e de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!

Ai! quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?

Alphonsus de Guimaraens
 

Leia mais um belo poema e um resumo da biografia do autor aqui:

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Soneto.


SONETO
Oito anos apenas eu contava,
Quando à fúria do mar, abandonando
A vida, em frágil lenho e desmandando
Novo clima, da pátria me ausentava.

Desde então à tristeza começava
O tenro peito a ir acostumando;
E mais tirana sorte adivinhando
Em lágrimas o pai e a mãe deixava.

Entre ferros, pobreza, enfermidade,
Eu vejo, ó céus! que dor! que iníqua sorte!
O começo da mais risonha idade.

À velhice cruel (ó dura morte!)
Que faz temer tão triste mocidade,
Para poupar-me descarrega o corte.

Souza Caldas

Souza Caldas (Antônio Pereira de S. C.), sacerdote, poeta e orador sacro, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24 de novembro de 1762, e faleceu na mesma cidade, em 2 de março de 1814. É o patrono da Cadeira nº 34, por escolha do fundador Pereira da Silva.

Era filho do comerciante Luís Pereira de Sousa e de Ana Maria de Sousa, portugueses, os quais, percebendo no filho a vocação para as letras, tudo fizeram para que florescesse. Aos oito anos de idade, e já evidenciando uma saúde frágil, foi mandado a Lisboa, aos cuidados de um tio. Foi matriculado no curso de Matemática (1778), de que se... Leia mais aqui:


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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Primavera.

PRIMAVERA

Derrama luz e sol, o céu parece,
Uma imensa turquesa incandescente.
E, o vento como fera que enfurece,
A folhagem açoita rudemente.

A terra estica exuberantemente,
O seio acolhedor e amplo oferece.
Em seu regaço, cada uma somente,
Que se abriga de gozo ela estremece.

Um sorriso vital demonstra tudo,
Provocante, sereníssimo, vagueia.
Um fecundo perfume pelo espaço.

Só eu – tristonho poeta – quedo e mudo,
Sinto apenas na vida que entoneia,
O túmulo a seguir-me passo a passo. 

R.S. Furtado 

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sábado, 18 de outubro de 2014

Amorfadado.

     

AMORFADADO

Que futuro tem o amor que nos une
amarrados com fios de navalha
se o passado, presente, nos pune
o tempo todo, por antigas falhas?

Que amor é esse que nos cobra
perfeição, prazer, fidelidade
que de tão apertado nem sobra
espaço para amar de verdade?

Não quero esse amor escuro
que mata o passado, ata o presente
e data o futuro

Quero um amor luminoso
sem culpas, medos ou desculpas
esculpido no gozo.

Alessandro Uccello
 

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com a primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso... Leia mais aqui:

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bandeiriana.


BANDEIRIANA

Se terminou tua aventura humana,
teu legado subsiste, onde aprendia
eu, aluno canhestro, a cotidiana,
e fraterna lição de poesia.

Teu verso brilha como a luz que emana
da grande fonte geratriz do dia,
e me vem, força amável, sobre-humana,
estrela de tua órbita vadia.

Estrela que brilhaste a vida inteira,
no ceu deixaste luminosa esteira;
meu verso, escuro beco em que definho.

Soletro em vão o teu abecedário.
De Pasárgada o longo itinerário
sigo aos tropeços sem achar caminho.

Antônio Geraldo 
  


A Academia Goiana de Letras, no dia 5 de janeiro do presente ano, perdeu uma das vozes poéticas mais respeitadas em Goiás e no Brasil. Antônio Geraldo Ramos Jubé, que em 11 de agosto de 2008, nas páginas desse Suplemento Literário, concedeu sua última entrevista ao acadêmico Coelho Vaz.

Nasceu na cidade de Goiás, no dia 29 de janeiro de 1927, filho de Antônio Benedito Ramos Jubé e de Maria Izabel da Veiga Jubé.

Fez o curso primário em sua terra natal e transferindo residência para Goiânia, concluiu o secundário no Liceu. Bacharelou-se em... Leia mais aqui:

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