sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Soneto noturno.

       

SONETO NOTURNO

Vem a noite de lilás e prata
pelas estradas arrastando as vestes
trazendo a lua que se mostra grata
ascendendo pelos lados lestes.

As paisagens já estão soturnas,
nos casebres, iluminação,
uma chuva que se faz noturna,
nos caminhos alguma assombração.

Tudo quieto, tudo tão parado
nesses sítios quando a noite vem
as pessoas se recolhem cedo,

pelos ermos não se vê ninguém,
não demora a madrugada rompe
um galo canta em outro sítio além...

Enzo Carlo Barrocco
 

Enzo Carlo Barrocco, pseudônimo literário de Efraim Manassés Pinheiro, nasceu na cidade de Tracuateua, Estado do Pará, em 13 de janeiro de 1960. Notadamente poeta, Enzo caminha por vários gêneros poéticos, como o soneto, o poema livre, a trova, o hai-kai, embora, algumas vezes, tenha enveredado pelas...Leia mais aqui:

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Symphonia azul.


SYMPHONIA AZUL

Amor, quando te vejo,
tudo em torno de mim se transfigura,
o azul d céo se illumnina de desejo,
o mar azul se aquece e se quebranta de ternura...

Quando te vejo, não é em ti que penso,
é no azul, na luz, nos fluídos e alados elementos,
o céo azul sobre o profundo mar suspenso...
e o bando dos meus serenos e faceis pensamentos,

entre o céo azul e o mar revôa e passa,
e na luz do dia e na fascinação do teu olhar
passeia, brinca, dança, embala-se e esvoaça,
como a poeira de ouro das horas nuas sobre o mar...

Francisco Campos
Francisco Luís da Silva Campos (1891-1968). Advogado, educador e político de ideologia direitista brasileiro nascido em Dores do Indaiá, Estado de Minas Gerais, de posições claramente antiliberais e ligado aos movimentos revolucionários de direita no Brasil, combateu firmemente, por exemplo, o movimento militar tenentista dos anos trinta contra o governo federal. De tradicional família mineira, era filho de Jacinto Álvares da Silva Campos, juiz de Direito, e de Azejúlia de Sousa e Silva, foi alfabetizado em casa, por sua mãe, passou dois anos como interno no... Leia mais aqui:

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Resignação.

 

RESIGNAÇÃO

Já não mais vejo o raiar no horizonte,
De um lindo dia de primavera radiante,
Surgindo manso, que beleza, que esplendor.
Já não mais vejo o jardim tão verdejante,
Com suas flores de odor tão deslumbrante,
Me enchendo o peito de alegria e vigor.

Já não mais vejo o rio perene e calmamente,
Com suas águas cristalinas e tão reluzentes,
Refletindo do céu os raios do luar.
Já não mais vejo os peixes de cores atraentes,
Nadando, brincando, de forma inocente,
Como se quisessem a mim, cortejar.

Já não mais vejo como antes eu via,
A beleza dos pássaros, cantando de alegria,
Enchendo-me o peito com tamanha emoção.
Já não mais vejo o pomar que existia,
Com seus belos frutos, tal qual uma magia,
Florindo e brotando em cada estação.

Já não mais vejo a relva espalhada,
No solo fértil, linda como que encantada,
Exalando seu odor gostoso e perfumado.
Já não mais vejo as palmeiras bem cuidadas,
Beirando o rio, tão belas, enfileiradas,
Tal qual um batalhão, uniforme e perfilado.

Já não mais vejo nada, porém sou feliz,
Porque nesta vida já vi tudo que quis,
Pois, pior que ser cego, é não ter coração.
Já não mais vejo nada, mas sei que existe,
A beleza da vida em meu ego persiste,
É por isso que vivo com resignação. 

R.S. Furtado 

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Desnuda e exposta aos vendavais sem pejo.

 

DESNUDA E EXPOSTA AOS VENDAVAIS SEM PEJO

Árvore abandonada no caminho;
desnuda e exposta aos vendavais sem pejo,
não tenho sombras para o teu carinho,
não tenho frutos para o teu desejo.

Destroçou-me o infortúnio... Malfazejo
foi-me o destino, e pérfido, e mesquinho.
Guardei no seio o teu primeiro beijo:
tudo o mais se perdeu pelo caminho.

Por que buscas agora o amor desfeito?
– És sonho na minha alma, e sonho morto.
– Sou rosa em tuas mãos, e desfolhada.

Depois de tantos anos, no teu leito
tens apenas sobejos do meu corpo,
da minha alma, talvez, não tenhas nada...

Henrique de Resende
 

Henrique de Resende, na verdade Henrique Vieira de Resende, nasceu no dia 13 de agosto de 1899, na fazenda do Rochedo, em Cataguases. Era filho do jurista Afonso Henrique Vieira de Resende e de Josefina Adelina Faria de Resende. Fez o curso primário na casa dos pais. Estudou no Colégio Anglo-Brasileiro do Rio de Janeiro e depois fez o curso de matemática em Ouro Preto, vindo a formar-se engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de Juiz de Fora em 1924.

Em seu livro de estréia “Turris Eburnea”, de 1923, a poética de Enrique de Resende já era moderna. Influenciado por Alphonsus de Guimaraens e a escola simbolista, em 1923 começaria uma evolução em sua arte que o levou a criar, com seus... Leia mais aqui:

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A um burguês.

 
A UM BURGUÊS
Tu, ventrudo burguês analfabeto,
Escultura rotunda da irrisão,
Para quem o viver mais limpo e reto
Consiste em ser devoto e ter balcão;

Tu, que resumes todo o teu afeto
No dinheiro, - o metal da sedução –
Pelo qual negociarás abjeto
Tua esposa, teu lar, teu coração.

Escuta, ó ignorantaço, o que te digo:
Esse ouro protetor, que é teu amigo,
Que te deu o conforto de um paxá,

Pode comprar qualquer burguês cretino;
Mas a lira de um vate peregrino
Não compra, não comprou, não comprará.

Emídio de Miranda
Waldemar Emídio de Miranda nasceu em 05.08.1897, no Recife e morreu em Rio Branco (Arcoverde) no dia 29.08.1933. Era filho do professor Auxêncio da Silva Viana e Maria dos Passos de Miranda Andrade.

Emídio de Miranda (esse era o seu nome artístico), muito cedo começou a versejar e a beber, entregando-se pouco a pouco ao anti-social vício. Porém, apesar disto, Emídio era muito querido pelas pessoas por ser um homem respeitador, bem aparentado, feições nobres e vasta cabeleira que usava ao estilo Castro Alves. Bom poeta e ótimo... Leia mais aqui:

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